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Wednesday, September 06, 2017

6ª Extinção em massa de Vida na Terra !




Illustration by David Hughes





Gibão-cinzento
créditos: D.R. Gerardo Ceballos

Metade dos animais que em um dia povoaram a Terra desapareceram. O último pombo-correio (Ectopistes migratorius) morreu cativo no zoológico de Cincinnati (EUA) em 1914.


Pombo-correio
créditos: Getty Images

Na prática, a ave que tinha sido a mais abundante do planeta estava havia anos em processo de extinção.

Décadas antes, o pombo-correio percorria os céus da América do Norte em bandos de milhões.

Mas com a chegada de colonos, alteraram seu habitat e caçaram-no até que restassem os pombos nos zoos. 

A história é velha, mas continua repetindo-se. Um estudo mostra que hoje cerca de um terço dos vertebrados terrestres perdeu a maior parte dos exemplares que chegaram a ter. E esse é o prelúdio da sua extinção.





Morcego Pipistrellus, Ilha de Natal
créditos: LindyLumsden/ via Mongabay

Não tocaram sinos quando morreu o último peixe da espécie Megupsilon aporus ou quando desapareceu o último morcego Pipistrellus da Ilha de Natal. 

Mas os cientistas avisam que estas extinções são o prelúdio para uma extinção em massa a nível global. A 6ª extinção em massa de vida na Terra está a acontecer de forma mais rápida do que se previa, resultando numa "aniquilação biológica" da vida selvagem, alertam.

Duas espécies de vertebrados desaparecem para sempre todos os anos, em média, mas apesar deste ritmo parecer lento, investigadores da Universidade de Stanford alertam para a tendência de declínio: segundo um estudo publicado em Julho 2017, mais de 30% das espécies vertebradas estão em declínio, tanto em termos de população como de distribuição geográfica.




Elefantes, Africa
créditos: Tony Karumba( AFP

"Trata-se de uma aniquilação biológica que ocorre a nível global, mesmo que as espécies a que pertencem estas populações ainda existam em algum local na Terra", afirma um dos autores do estudo, Rodolfo Dirzo, professor de biologia na Universidade de Stansford.

De acordo com a agência France Presse, os investigadores traçaram a carta da distribuição geográfica de 27.600 espécies de pássaros, anfíbios, mamíferos e répteis, uma amostra que representa quase metade dos vertebrados terrestres conhecidos. Analisaram declínios de população numa amostra de 177 espécies de mamíferos entre 1990 e 2015.




credits: Gerardo Ceballos, Paul R. Ehrlich & Rodolfo Dirzo
science researchers

  • Destes 177 mamíferos, todos perderam pelo menos 30% das suas áreas geográficas e quase metade perdeu pelo menos 80%.

    Cerca de 40% dos mamíferos, entre eles rinocerontes, orangotangos, gorilas e grandes felinos, sobrevivem com 20% menos de território do que seria desejável.

    O declínio dos animais selvagens é atribuído sobretudo ao desaparecimento do seu habitat, ao consumo excessivo de recursos, à poluição e ao desenvolvimento de espécies invasivas e de doenças. As alterações climáticas também têm contribuído e este declínio tem-se acelerado, alertam os investigadores.



    Girafas/ Ithala Game Reserve, 
    northern KwaZulu-Natal, South Africa
    credits: Luca Galuzzi

    "Algumas das espécies que estavam relativamente seguras há 10 ou 20 anos", como os leões e as girafas, "estão agora em perigo", avisam.

    Esta "perda massiva" em termos de população e de espécies "é um prelúdio do desaparecimento de muitas outras espécies e do declínio do ecossistema que torna a civilização possível", advertiu o autor principal do estudo, Gerardo Ceballos, da Universidade Nacional Autónoma do México.

    Os investigadores apelam ainda a que se faça algo contra as causas deste declínio da vida selvagem, em especial a sobrepopulação e o excesso de consumo.




    A rare male king cheetah, a lion, a pangolin and a orangutan
    credits: Clockwise from top left: John Wessels/AFPr/ Getty Images, Ben Curtis/AP, Roslan Rahman/AFP/ Getty Images, Ulet Ifansasti/ NYT

    Clockwise from top left: A rare male king cheetah, a lion, a pangolin and a orangutan, all members of species that have experienced sharp declines in recent decades.

    From the common barn swallow to the exotic giraffe, thousands of animal species are in precipitous decline, a sign that an irreversible era of mass extinction is underway, new research finds.

    The study, published Monday in the Proceedings of the National Academy of Sciences, calls the current decline in animal populations a “global epidemic” and part of the “ongoing sixth mass extinction caused in large measure by human destruction of animal habitats. The previous five extinctions were caused by natural phenomena.




    crédits: Gerardo Ceballos, PNAS 2017/ UICN

    Gerardo Ceballos, a researcher at the Universidad Nacional Autónoma de México in Mexico City, acknowledged that the study is written in unusually alarming tones for an academic research paper. 

    “It wouldn’t be ethical right now not to speak in this strong language to call attention to the severity of the problem,” 

    Gerardo Ceballos

    Dr. Ceballos emphasized that he and his co-authors, Paul R. Ehrlich and Rodolfo Dirzo, both professors at Stanford University, are not alarmists, but are using scientific data to back up their assertions that significant population decline and possible mass extinction of species all over the world may be imminent, and that both have been underestimated by many other scientists. Read more 


    Geração 'green'

    06.09.2017

    Creative Commons License


    References:

    DN/ Sociedade/ NYT/ Climate


    Saturday, July 18, 2015

    Jane Goodall [1934-2025] : 65 anos de pesquisa : 1ª mulher primatologista !






    Jane Goodall


    No passado dia 14 de Julho de 2015, celebrou-se o 55º aniversário da chegada da Jane Goodall aquilo que é hoje  conhecido como Gombe Stream National Park, Tanzânia, iniciando a sua pesquisa pioneira sobre chimpanzés selvagens.


    Mais de cinco décadas depois de a primatóloga Jane Goodall ter começado um projecto de pesquisa diferente de qualquer outro.



    Um projecto que tanto nos ensinou sobre os nossos parentes mais próximos no reino animal. E continua ainda hoje a ensinar-nos.

    Gombe Stream National Park é o lar de chimpanzés mais famosos do planeta. Por causa da Dr. Goodall e dos dedicados pesquisadores que se têm envolvido desde que ela chegou a Gombe, a vida destes chimpanzés tem sido documentada, fotografada, filmada e trazida para a cena pública, talvez mais do que qualquer outro espécie animal.




    Credits : Jane Goodall Institute, Sweden

    Jane Goodall foi consagrada a conservadorista do ano no passado mês de Junho 2015. No dia 7 Junho num evento privado em Estocolmo, a Perfect World Foundation homenageou Jane com o prémio “The Fragile Rhino”, nomeando-a a ambientalista 2015. 

    Os fundadores de The Perfect World Foundation, Ragnhild e Lars Jacobsson ofereceram o prémio a Jane, que o recebeu na presença de representantes do  Jane Goodall Institute Sweden.

    A pesquisa que Jane começou há mais de 50 anos atrás, com uma bolsa de estudo, apenas por seis meses, é tão vibrante como sempre.






    People's Climate March, Nova Yorque
    Ban Ki-moon, secretártio geral da ONU, Al Gore


    Jane Goodall, também é activista pelo ambiente, e participou na People's Climate March em Setembro 2014 juntamente com Al Gore, bem como Leonardo di Caprio que é um acérrimo defensor do ambiente.


    Goodall continua a desempenhar um papel importante, não só para continuar a ajudar-nos a compreender os chimpanzés, mas tambéma informa sobre os esforços de conservação do Jane Goodall Institute na Tanzânia Ocidental, e até de certo modo através de toda as espécies de chimpanzé.

    Parabéns Dr. Jane Goodall !





    Jane Goodall

    July 14, 2015 marked the 55th anniversary of the first time Dr. Jane Goodall set foot in what is now known as Gombe Stream National Park and launched her pioneering research with wild chimpanzees. 

    Over five decades ago, Dr. Goodall begin a research project unlike any other one that has taught us so much about our closest cousins in the animal kingdom, and continues to teach us today.




    Jane Goodall

    Gombe Stream National Park is home to the most famous chimpanzees on earth. Because of Dr. Goodall and the dedicated researchers that have become involved since she first arrived at Gombe, the lives of these chimpanzees have been documented, photographed, filmed and put out on the public stage, perhaps more than any other wild creature ever. 





    Jane Goodall

    The research that Jane started over fifty years ago, is as vibrant as ever, and now plays an important role not only to continue helping us understand chimpanzees, but also informing the Jane Goodall Institute's conservation efforts in Western Tanzania, and even in some ways across the entire chimpanzee range. 




    People's Climate March, New York
    Ban Ki-moon, secretary general UN, Al Gore

    Jane is an activist for environment. She participated at the People's Climate March in New York, last September 2015. Leonardo di Caprio, a huge environmentalist also participated. 



    Jane Goodall "The Fragile Rhino" prize
    credits : Jane Goodall Institute, Sweden

    On Sunday, June 7th at a private event in Stockholm, The Perfect World Foundation honored Jane with the “The Fragile Rhino” prize along with naming her conservationist of the year for 2015. The founders of The Perfect World Foundation, Ragnhild and Lars Jacobsson presented the award to Jane, who received it with representatives from the Jane Goodall Institute Sweden.

    “To Dr. Jane Goodall, for her long, persistence and amazing work to highlight the situation, and for been taking inspiring actions, to help endangered species and particularly Chimpanzees”

    Congratulations for all you made us understand, Dr. Goodall!




    Jane Goodall [1934-2025]
    via Expresso

    Jane Goodall morreu neste dia 1 de Outubro 2025. Dia triste. 

    On this sad day, 1 October 2025 we lost Jane Goodall.



    Geração 'green'

    18.09.2015

    actualizado 01.10.2025

    Creative Commons License

    Sunday, May 18, 2014

    Rãs dançantes descobertas na India



    Foto: Satyabhama Das Biju/AP
    Leram bem ! Rãs dançantes. Na India, cientistas descobriram 14 novas espécies de rãs nas florestas montanhosas do sul do país. 
    De acordo com os biologistas indianos, estas novas espécies de anfíbios são rãs dançantes, e devem o seu nome aos movimentos estranhos que executam para atrair um parceiro.
    Estas espécies procriam depois das monções do início do ano em pequenos cursos de água rápidos. Porém, o seu habitat está a tornar-se cada vez mais seco, muito em parte devido à desflorestação potenciada pelo crescimento da população indiana.


    Foto: Satyabhama Das Biju/AP
    O estudo, onde as novas espécies são listadas, publicado na revista científica do Ceilão, aumenta para 24 o número de espécies de rãs dançantes da Índia. 
    Estas espécies são encontradas apenas nos Gates ocidentais da Índia, uma região montanhosa que se estende por 1.600 quilómetros desde o estado de Maharashtra até ao ponto mais a sul do país.
    No entanto, apesar de acabarem de ter sido descobertas, estas novas espécies de rãs estão já em risco. 
    Durante os 12 anos que os cientistas tentaram comprovar a sua existência, com marcadores de ADN e através de descrições morfológicas, o número de anfíbios diminuiu drasticamente. 


    Foto: Satyabhama Das Biju/AP
    O estudo, onde as novas espécies são listadas, publicado na revista científica do Ceilão, aumenta para 24 o número de espécies de rãs dançantes da Índia. 

    As espécies são apenas encontradas nos Gates ocidentais da Índia, uma região montanhosa que se estende por 1.600 quilómetros desde o estado de Maharashtra até ao ponto mais a sul do país. .
    Apenas os machos executam este ritual de acasalamento. Quanto maior for a rã macho mais dança. Os machos utilizam ainda as suas pernas extensivas para afastar outros machos concorrentes, já que o rácio dos anfíbios costuma ser de 100 machos para uma fêmea.
    Estas rãs são de pequena proporção, não maiores do que uma noz e são facilmente transportadas por riachos de correntes rápidas. Assim, a época de acasalamento ocorre apenas quando o nível de água dos cursos é mais elevado. Se os cursos não transportarem água suficiente ou secarem demasiado cedo, as rãs não têm as condições ideais para acasalar.
    A maior parte das 24 espécies de rãs dançantes habitam apenas uma pequena área. Segundo os cientistas, sete espécies habitam no que é descrito como habitat degradados e outras 12 vivem em locais que estão em declínio ecológico.


    photo: Satyabhama Das Biju/AP
    http://static.guim.co.uk/sys-http://static.guim.co.uk/
    Scientists have discovered 14 new species of so-called dancing frogs in the jungle mountains of southern India.
    Indian biologists say they found the tiny acrobatic amphibians, which earned their name with the unusual kicks they use to attract mates, declining dramatically in number during the 12 years in which they chronicled the species through morphological descriptions and molecular DNA markers. They breed after the yearly monsoon in fast-rushing streams, but their habitat appears to be becoming increasingly dry.
    "It's like a Hollywood movie, both joyful and sad. On the one hand, we have brought these beautiful frogs into public knowledge. But about 80% are outside protected areas, and in some places, it was as if nature itself was crying," said the project's lead scientist, University of Delhi professor Sathyabhama Das Biju.
    (...)
    The study listing the new species published Thursday in the Ceylon Journal of Science brings the number of known Indian dancing frog species to 24. They're found exclusively in the Western Ghats, a lush mountain range that stretches 1,600 kilometers (990 miles) from the western state of Maharashtra down to the country's southern tip. Read more here
    Geração 'green'
    18.05.2014
    Creative Commons License
    Referências
    Credits : photography Satyabhama Das Biju/AP
    GreenSavers | Portufgal
    The Guardian | Wildlife

    Tuesday, January 08, 2013

    Redescoberta a planta de café "híbrido de Timor"





    Café Híbrido de Timor
    Foto: Pedro Nogueira

    A Universidade de Évora anunciou em Dezembro 2012 ter redescoberto a planta original de café do "híbrido de Timor", identificada nos anos 60 (século XX). Foi depois "perdida" e foram os clones que permitiram criar variedades resistentes à doença da ferrugem.

    A planta original do híbrido de Timor, é o resultado do cruzamento da espécie arábica. Este cruzamento, improvável, pelo facto da espécie arábica ter o dobro dos cromossomas da espécie robusta, aconteceu por um acaso da natureza em Timor Leste.

    "A planta é conhecida desde os anos 60, mas, no período da ocupação indonésia de Timor, perdeu-se todo esse conhecimento e referências", 

    Pedro Nogueira, Universidade de Évora (UÉ) | Lusa



    Fruto café híbrido de Timor
    créditos:sweetmarias

    A planta original do híbrido de Timor é um exemplar único no mundo, resistente à ferrugem do café, Hemileia vastatrix, e os seus clones e progénies foram utilizados na obtenção de variedades de café arábica resistente à ferrugem, como o Catimor. Estas novas variedades de cafés arábicos permitiram a melhoria e mesmo a salvação de vastas plantações de café arábica em todo o mundo.

    “Os países produtores de cafés arábicos têm para com Timor, e também para com aqueles que souberam avaliar os seus méritos e depois o estudaram e trabalharam, uma dívida sentimental de gratidão pela cedência deste “Híbrido de Timor”, porque a partir dele se prepararam cultivares com bom potencial produtivo e resistentes às ferrugens, que hoje constituem a base da cafeicultura mundial dos arábicos” 



    Esse "exemplar único no mundo", ou seja, "a planta original do 'híbrido de Timor'", foi agora redescoberta, graças a um projecto que envolve os departamentos de Geociências e Economia da UÉ, a Universidade Nacional de Timor Lorosae (UNTL) e o Centro para a Investigação da Ferrugem do Café, em Lisboa. 

    "A UÉ já colabora com Timor desde 2000, em várias áreas de investigação, como a agronomia. Nesse âmbito, iniciamos este projecto em 2009 e conseguimos, este ano, identificar a planta"

    Pedro Nogueira, investigador UÉ




    Grão café híbrido de Timor
    créditos:  Dan Smedley

    O original do “híbrido de Timor” foi encontrado junto a uma aldeia timorense, “no meio de uma floresta de café não ordenada, sem qualquer protecção ou referência.”

    "Para além do valor histórico, patrimonial, botânico, biológico e de herança ou de legado, que deverão ser aproveitados da forma mais apropriada pelo governo de Timor-Leste, da planta original do híbrido de Timor deverão ser colhidas as sementes para continuarem a serem utilizadas na investigação com vista à obtenção de novas variedades de café arábica resistentes à ferrugem e às doenças que afectam o fruto do café, a cereja."




    Timor coffee hybrid 

    The original coffee plant of "híbrido de Timor" has been rediscovered in December 2012 by a team of investigators of Universidade de Évora - UÉ (Portugal), and Universidade Nacional de Timor Lorosae (UNTL).

    Geração 'green'

    08.01.2013

    Creative Commons License

    Créditos vídeo: Pedro Nogueira | Universidade de Évora

    Referência:

    Com Universidade Nacional de Timor Lorosae UÉ encontra a planta original do híbrido de Timor | UELine